Países Mestres da Criação de Ovinos

O que temos a aprender com eles? Quando o assunto é a produção de ovinos, a China, a Índia, o Uruguai e a Nova Zelândia são os países que mais se destacam. Há vários anos, essas quatro potências ganharam espaço com criações grandes e eficientes ou alto volume de exportação, tornando-se referência para todo o segmento.

Vamos entender por que cada um deles tem essa posição: 52% da produção de carne ovina está concentrada no continente asiático, onde a China é o maior produtor mundial. Com um rebanho de aproximadamente 157.330.215 cabeças, é dela o primeiro lugar no ranking.

Porém, apesar de ser o maior produtor, o país é também o maior importador. Grande parte do rebanho é destinado ao consumo interno que absorve toda a oferta de carne abatida.

Tanto os grandes quanto os pequenos produtores, aproveitam das extensas planícies e da tecnologia acessível de ponta para manejar a criação com rapidez e garantir a qualidade da carne em larga escala. Segundo dados da FAO, a Índia é o terceiro maior produtor de ovinos do mundo. 14% da produção de carne desse país vem dos ovinos.

Mas, ao contrário da China, o consumo interno de carne na Índia é baixo, o que a torna uma das principais exportadoras mesmo sem possuir uma cadeia de produção especificamente internacional.

Os principais compradores são os países da África, Arábia Saudita, Emirados Árabes e Golfo Pérsico que não possuem uma inspeção sanitária rígida. Agora você deve estar pensando: como funciona a produção nesse país para que ele precise se preocupar com a fiscalização, certo?

Pois bem, dos 67,5 milhões de cabeças abatidas por ano na Índia, a imensa maioria ocorre nas propriedades rurais, sem fiscalização sanitária. Em todo o país encontra-se 9 frigoríficos modernos, 3.600 abatedouros de pequenos produtores e apenas 171 instalações de processamento de carne autorizadas.

Apesar de já estarem sentindo a importância da produção da carne de qualidade e estarem investindo na melhora dos processos através de medidas governamentais, a atual cadeia de transporte e armazenamento da carne ainda é precária. Se posicionando atualmente como um importante fornecedor da carne de cordeiro em países da União Européia, Oriente Médio e América Latina, o Uruguai apresenta algumas peculiaridades que o destaca competitivamente.

O país iniciou suas atividades com a produção de lã e sofreu com a crise da lã em 1990, sendo obrigado a direcionar os seus rebanhos para a produção de carne.

Após se adaptar a essa nova perspectiva, onde a exportação da lã ficou em segundo plano, o Uruguai começou a ganhar mercado exportando para lugares como o Brasil, que ainda não conseguem suprir sua demanda e lugares como a União Européia, que oferecem vantagens na hora de negociar o transporte, possuindo tarifas nulas até 5.800 toneladas de carne.

As criações uruguaias se caracterizam pelo desenvolvimento sob sistemas extensivos de produção em pastagens nativas e seu poder de negociação com o Brasil ainda se mantém na troca de expertise e no complemento da demanda. Hoje a Nova Zelândia é considerada a maior exportadora de produtos ovinos do mundo, movimentando toda a economia da região. Em algumas partes do país essa é a principal atividade que se divide na produção de corte, leite e lã.

Ela também já enfrentou uma grande crise que retirou parte dos subsídios governamentais dos produtores, mas isso só fez com que a união entre eles se fortalecesse e que o setor começasse a se desenvolver sem depender do governo.

Para garantir uma criação eficiente, os produtores investem em uma pastagem livre, em frigoríficos robotizados que realizam cortes precisos e em muita pesquisa comercial e genética. Cerca de R$ 0,60 por cabeça abatida é revertido para os fundos de pesquisas locais, garantindo informação para uma boa produção mesmo em climas e ambientes hostis.

Todo esse investimento, permitiu que os produtores neozelandeses estabelecessem um rigoroso critério de seleção da genética do carneiro, composta por: boa suscetibilidade à bicheira, peso padrão no desmame, capacidade de procriação e baixo índice de problemas no casco. Mas como podemos alcançar esse sucesso? Apesar de toda a experiência desses países, existem brechas que podem ser oportunidades para o Brasil e seus novos produtores.

A China com a sua necessidade de importação, por exemplo, pode ser um ótimo país de destino para as carnes congeladas de alto padrão, além de ser um grande professor sobre tecnologias que otimizam os processos de produção.

A Índia, perde mercado com a produção clandestina e sem os selos de fiscalização, abrindo espaço para nós em países de primeiro mundo ou em uma classe de consumidores mais exigentes.

O Uruguai, não possui raças de cordeiros ideais para o aproveitamento da carne em seus rebanhos, já que as criações foram antes planejadas para a produção de lã. Dessa forma, a qualidade e a sazonalidade do que é produzido são comprometidas em comparação com seus concorrentes.

Já a Nova Zelândia precisa atender países de alto poder aquisitivo para obter lucro, deixando muitas regiões em desenvolvimento com poucos fornecedores certificados. Percebeu o quanto podemos explorar? É analisando as forças e as fraquezas desses concorrentes que podemos começar a encará-los de frente.

Devemos ser humildes para aprender com seus exemplos de sucesso que vão desde a união dos produtores até o investimento na melhora da genética do rebanho, mas também devemos estar atentos aos erros que afetam toda a cadeia e abrem caminho para alianças e negociações.

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