Para uma boa alimentação, um bom resultado.

Entenda como a alimentação influencia na qualidade da carne de ovinos.

Assim como qualquer outro animal de corte​, os ovinos necessitam de atenção em sua alimentação para se reproduzir de forma saudável e fornecer uma carne de qualidade​.

O impacto do bom manejo e da alimentação equilibrada do rebanho está diretamente ligada a uma carcaça e carne de alto padrão​, que possa ser bem aproveitada em todos os cortes e que seja ideal para o nosso consumo.

Saber planejar essa alimentação adequadamente é o que vai garantir que o cordeiro expresse todo o seu potencial e não seja afetado pelas mudanças climáticas ao longo do ano.

Mas como planejar essa alimentação corretamente?

Nessa hora, é preciso considerar os hábitos alimentares naturais e as exigências da raça de ovino escolhida, além do valor nutritivo e da viabilidade econômica dos alimentos disponíveis. Depois disso, é preciso entender que cada ciclo de vida do animal exige um cuidado específico com a alimentação.

A nutrição dos cordeiros começa na fase de gestação das ovelhas​, onde as exigências aumentam em quantidade e qualidade para se obter uma cria forte e saudável. Após o nascimento, o que deve alimentar os cordeiros principalmente nos 20 primeiros dias de vida é o colostro, transmitindo imunidade e todas as propriedades nutricionais necessárias.

Já no desmame, a exigência nutricional aumenta devido ao estresse sofrido pelos cordeiros ​durante a separação da mãe. Nesta fase indica-se dietas que contenham no mínimo 16% de proteína bruta.

Uma outra opção para esse período é a técnica de creep feeding. Nela os cordeiros recém nascidos são separados das ovelhas para receber uma alimentação à base de suplementos concentrados, a fim de atingir o peso ideal mais cedo.

Porém, essa é uma técnica indicada apenas para a produção de cordeiros precoces para abate. E é na sequência do desmame que o cordeiro irá começar a consumir os alimentos volumosos (vindos de forragens verdes ou conservadas), subprodutos (vindos de reaproveitamento) ou suplementos (compostos de elevado nível de proteína, vitamina e probióticos).

Cana-de-açúcar: a cana é uma forrageira de fácil conservação e rica em energia, mas que depende do apoio de suplementos minerais e protéicos.

Gramíneas: as gramíneas são as folhas tenras consumidas pelo cordeiro durante o pastejo. Possuem uma tipo de fibra vegetal com alta qualidade nutricional e por isso, são quase indispensáveis para rebanhos que não vivem em confinamento.

Capim picado: o capim possui cerca de 25% de matéria seca e 10% de proteína bruta. Também pode ser servido ao ovino ​com suplementos e deve ser colhido e picado no período vegetativo adequado.

Pastagem: por possuir um capim misto, as pastagens brasileiras são excelentes para os ovinos. As espécies mais recomendadas para cultivo nas áreas de pasto são Coast Cross, Tiftons, Aruana, Tanzânia, Massai e Green Panic.

Milho: esse é um alimento extremamente energético e rico em vitamina A, mas que também possui um baixo valor nutricional em proteína e cálcio.

Sorgo: o sorgo precisa ser moído para um maior aproveitamento de suas propriedades durante a digestão e pode ter até 12% de proteína bruta, além de ser energético.

Amoreira: com até 22% de proteína, as ramas picadas da amoreira podem ser servidas frescas ou em forma de feno.

Feijão Guandu: esse feijão é rico em cálcio e proteína, além de muito bem aceito pelos ovinos​. Seu uso dispensa qualquer suplemento a base de proteína.

Polpa cítrica: a polpa é um subproduto composto por bagaço, cascas e sementes da laranja. Possui 7% de proteína bruta, 14% de fibra bruta e cálcio.

Melaço: esse é um subproduto da produção de açúcar rico em cálcio, magnésio e potássio. Age como um energético muito saboroso para os ovinos​.

Farelos: os farelos podem ser subprodutos do trigo, do arroz, do coco, da soja e do algodão. Eles apresentam alto índice de proteínas e fibras, mas podem ser pobres em elementos como o cálcio. Por isso, é necessário sempre combiná-los com algum outro tipo de alimento para uma dieta equilibrada.

Os suplementos são compostos de diferentes nutrientes que aumentam a eficiência alimentar e geralmente trazem medicamentos em sua formulação para manter a saúde intestinal. É importante que o uso de suplementos seja sempre recomendado e monitorado pelo profissional veterinário ou zootecnista do rebanho​.

Agora que você conheceu várias das opções usadas atualmente, os bons resultados da sua produção vão depender da escolha dos alimentos ideais dentro de uma dieta planejada.

Se sentir necessidade, peça a ajuda de um zootecnista para entender a real condição da terra, clima e ambiente disponível, além de acompanhar a adaptação dos animais aos nutrientes. Nunca se esqueça que a alimentação é o ponto chave do ciclo de criação do rebanho​.

No próximo texto, falaremos sobre como anda o consumo da carne de cordeiro​ no Brasil.

Até lá.

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